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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

" ... baby, we'll be fine ... "



" ... baby, we'll be fine ... "

A noite está quente e a lua ilumina o céu e as pessoas. Os seus corpos balançam ao som da música que toca lá ao fundo, em cima de um palco. Em uníssono cantam e gritam, quando é preciso. Libertam fantasmas. Choram angústias, arrependimentos. Choram alegria e paixão. Os corações explodem num turbilhão de sentimentos. Há suspiros espalhados pela multidão.
Neste exacto momento nada mais importa. Aqui tenho tudo o que quero: a minha música, com as palavras que me enchem a alma, e a companhia certa. A comunhão que se vive é gritante de tão palpável que é. Os braços estão estendidos em direcção às estrelas e os punhos cerrados em jeito de revolta. Tudo é perfeito.
No final quer-se mais, sorri-se. Trocam-se palavras, cansadas é certo, mas palavras carregadas de emoção. Nada mais importa. Só os beijos que vêm depois.


" ... baby, we'll be fine ... " 05/08/10

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Tua Mão


"...E eu vou dizer que a noite é mais quente à luz do seu olhar..."

Saltei. Caí. Levantei-me. Caminhei. A tua casa ainda fica longe. Ainda tenho de atravessar estradas, caminhos de ferro, pontes e quintais. A distância não me preocupa, nem me assusta. O cansaço não surge e os pés como que voam. O coração segue o caminho, não o mais fácil, não aquele sem pedras e muros. Escolhe aquele que sente, que lhe fornece calor. Mesmo se este for, por vezes, doloroso e longo.
Avanço, cautelosamente, por entre a ramagem do bosque. Piso folhas caídas, atravesso riachos. Depois, subo os degraus da igreja e passo pelo café ao lado do campo da bola. Ao longe, já avisto a tua casa, caiada de branco. Tem umas janelas grandes, por onde entra a claridade do sol e o ar, puro e fresco, dos eucaliptos que se encontram mesmo junto do pequeno curso de água que dá vida ao espaço que circunda a tua casa caiada de branco.
Chego. Estás à janela. Os teus cabelos, castanhos, brilham. Fazes-me adeus e eu correspondo com um sorriso. Sento-me no chão junto a uma árvore, e não trocamos sequer uma palavra. O silêncio chega. O silêncio é perfeito. O silêncio é como tocar a tua mão, suave, revelador. É um silêncio baixinho, de suspiros. Não preciso de abrir a porta e ir ter contigo. Sei que amanhã vou ganhar um beijo teu, ou dois.


" A Tua Mão " - 20/04/10