Mostrar mensagens com a etiqueta sol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sol. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Nova Casa



Tinha uma outra casa. Escura. O chão era de alcatifa e tinha aquele cheiro tão característico. A janela estava quase sempre fechada. Era rara a luz que ali entrava. O ar era pesado e a mobília demasiado antiga, já velha e com alguns buracos e brechas. A cama era grande mas nada confortável e, para mais, fazia um ruído feio quando nela me deitava. Esta foi a minha casa durante vários anos. Impessoal.
Agora, quando olho para trás, não tenho saudades. Lembro-me de mal conseguir respirar. Era o meu canto e, ao mesmo tempo, o meu recreio. Saudades, não. Prefiro esta nova casa. Repleta de luz e um ar leve e puro e vivaz. Este não me magoa. Ando descalço no chão, deito-me nele. Posso, finalmente, sorrir e contar histórias. Esta é a minha verdadeira casa. O sítio dos Deuses. Um jardim banhado pelo sol e por gargalhadas.


" A Nova Casa " - 21/05/10

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Partilha Reservada



" ... raise our heavenly glasses to the heavens ... "


A reserva de quem gosta observar quem o rodeia. A reserva de quem, com astúcia, vai dedilhando as palavras, as imagens e os gestos dos outros, sem eles perceberem. É uma reserva que vai sendo partilhada a pouco e pouco, enquanto se conquista empatia. Partilhar o que se observa faz parte de mim, daquilo que sou, de quem sou como pessoa, como Homem. Ser-se observador tem muito que se lhe diga. Sensibilidade e perspicácia. Olhos bem abertos, sensíveis a qualquer movimento ou som. Vão-se tirando fotografias mentais, vai-se escrevendo numa folha de papel em branco. Captar sorrisos e pequenos olhares enche-me a alma de sol, por vezes, são esses sorrisos, os dos outros, mais do que os meus, que me trazem paz. É bom ver que aqueles que estão à nossa volta se deliciam connosco, ou porque gracejamos ou porque, simplesmente, falamos das nossas experiências e aventuras. Isso, para mim, chega. É-me tudo. Tem-me sido tudo, também.


" Partilha Reservada " - 18/05/10

sábado, 1 de maio de 2010

Sotaque




"... hoje toquei num avião sem tirar os pés do chão..."


Faço zoom à paisagem. Ao longe avisto montes, oliveiras, casas, pintadas de branco e azul, perdidas no meio da flora alentejana. Avisto moinhos, quintas, riachos. Avisto o sol, as nuvens e, principalmente, o céu, também ele azul, também ele mágico. Adoro olhar o céu, caminhar nas nuvens, sentir o sol na cara.
Fecho os olhos. Inspiro o ar fresco do campo. Inspiro toda a inspiração que ele me traz. Bebo as suas histórias e bebo as suas gentes, simples, humildes. Todas elas com algo para contar, seja por se sentirem sós ou seja pelo simples, mas sincero, gosto em partilhar.
Abro os olhos, alcanço o mundo. Estava mesmo a precisar disto. De fugir um pouco. De encher o peito de coisas simples, mas coisas que verdadeiramente me trazem plenitude e acalmia.


" Sotaque " - 01/05/10

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quatro


" ... so don´t think that I'm pushing you away when you're the one that I've kept closest ... "



I

Eu acredito no equilíbrio. Acredito, piamente, numa divisão de forças. Acredito numa balança perfeitamente equilibrada, com conta, peso e medida. Se uns têm sorte, sucesso e felicidade, outros não terão essas mesmas coisas. Se uns encontram o Amor, outros não vão ter essa ... sorte. Ainda procurei motivos que me fizessem ver isto de outra forma, mas a minha procura foi infrutífera. Chamem-lhe o que quiserem, destino, fado, vida. Eu chamo-lhe equilíbrio. Nem todos podemos ser felizes, nem todos podemos ser figuras importantes, nem todos amam ou são amados. Não é possível, já aceitei esse facto.

II

Ontem vi-te, no ecrã do meu computador. Com um sorriso do tamanho do teu coração, enorme, curioso e cativante. Lembrei-me do primeiro dia. Lembrei-me do segundo primeiro dia. Sorri, como tu. Depois disse-te «Até já».

III

Acordei eram 9h da manhã. Agora o sol já brilha com todo o seu esplendor. Abri a janela e, rapidamente, o quarto foi invadido por uma sensação de acalmia. Por ali fiquei, apoiado no parapeito, a justificar tudo o que me atormenta. Tentei explodir, gritar, mas isso ainda não consigo. «Passos de bebé Luís, passos de bebé», pensei cá para os meus botões.


" Quatro " - 08/04/10